REVIEW: SIGUR ROS @ MoMa PopRally series
By the nature of Sigur Ros’ known transcendental sounds of post-rock and because it evokes an imaginary mythology of a beautiful and nonsensical language; i knew, when i heard of the concert at MoMa, that it would not be an ordinary musical concert, but an extraordinary cultural event.
Last Tuesday a lucky few hundred gathered in the main hall of the MoMa – as a part of its PopRally series in conjunction with Olafur Eliasson’s exhibit “Take Your Time” – and witnessed an incredible juxtaposition of visual and audio stimulations as well as the sensation of being at the right place at the right time.
Although the acoustics weren’t great and the open bar caused people to walk and talk during the performance, the ethereal ambience remained intact by the incredible lighting; the undeniable bucolic beauty of the band playing in front of the museum’s garden and the knowledge that the whole lysergic soiree was taking place in one of the most influential art spaces for the past decades. The melancholic yet joyful songs set the tone for contradictory feelings throughout the full 2 hours the band was on stage; at the same time ephemeral and eternal, as if in an photograph, filled with a nostalgia for an elf-like fantasy of bliss. Every new song felt like a step closer to aufklärung.
The last song (Gobbledigook) before the encore was from their new album (með suð í eyrum við spilum endalaust) to be released on the 23rd of June. And from what I heard, you’ll probably find me in line at the nearest record store on Monday morning.
If you can’t wait, the whole album is available via streaming audio here (http://www.sigur-ros.co.uk)
ana banana 2:21 PM[+] +
.Quinta-feira, Maio 29, 2008.
que coisa estranha que é escrever aqui. um ano depois.
Mas escrevi um review pro album novo do Four Tet (Ringer) pra Tokion magazine, mas eles não quiseram.
Então fica aí pro pancakes.
Four Tet – Ringer
Kieran Hebden as Four Tet is at it again with the newly released album Ringer from Domino Records. Known for transitioning between genres and different electronic styles, mixing unusual medias (for instance: squeaky toys) and innovative sounds, Four Tet has his place as a pioneer in making computer generated electronic music. Compared to his previous records, Ringer disappoints in matter of originality of sounds and – frankly- it’s boring.
The first track – “Ringer”- is the most irritating of them all, although after 8 min listening to what could be someone’s annoying phone in the room, the aftertaste of ingenious juxtapositions of Midi riffs and live drums isn’t bad. “Ribbons’” organic and flowy harp-like melodies can remind some people of being in a promotional lounge or showroom for a new line of cell phones but it can also make you feel light and serene - like a fluffy little white cloud. All and all it’s probably still the best track on the album. “Swimmer” is a close runner-up for most mind numbingly irritating track; even though Hebden plays around with different instrumental sonorities, they are muffled by the pungent monotone frequency that reminds you of trying to fall asleep with a plugged in amplifier. Last but not least we have “Wing Body Wing” with its inexistent loops of afro beat and it passes as mere background music. Not horrible, but not remarkable at all.
The album seems like it was actually recorded to serve as a basis for more elaborate live experimentations with its minimal beats. Something that new Yorkers may or may not confirm at Four Tet’s upcoming concert at Studio B in Brooklyn on the 6th of June.
For more information go to www.fourtet.com and www.clubstudiob.com
ana banana 2:44 AM[+] +
.Sexta-feira, Junho 29, 2007.
"ah" um suspiro aliviado. suspenso do tempo. suspiro. as funny as it may seem. mais um. uma afundada no sofá: aliviado.
è finito. esse semestre-relâmpado finalmente chegou ao fim do túnel. depois de encrencas e uma inundação de trabalhos e provas. depois de riding high in april e depois do shot down in may. Depois de cigarros, depois do jazz, depois de tantas coca-colas consumidas e conversas jogadas fora. Depois que o calor suava na pele, depois que os cobertores abraçavam o corpo; depois de análises minunciosas e novas verdades paradigmáticas. Depois de amantes e amigos amargos - com alho e amoras - e sucos de laranja ácida com um pão-na-chapa amassado. Depois de inúmeras madrugadas que viram o sol nascer. Depois de espetáculos, especulações e expectativas. Depois de tensões, depois da Bahia, depois da mesmice paulistana. Depois de tudo, o tempo passou e o semestre acabou. (graças a deus)
Agora as coisas recomeçam. Sempre limpas, como uma página em branco - como se fosse possível apagar as experiências- ou talvez um capítulo terminado. e uma ansiedade para virar a página e ler o que vem a seguir. (O que vem a seguir??) um romance que se transforma em aventura ou tragédia ou manual de filosofia? Só sei que o capítulo que vem vai ser escrito em italiano.
sorrio, ao menos... sempre é alguma coisa o sorrir.
ana banana 6:35 PM[+] +
.Sábado, Maio 26, 2007.
e agora cinderela?
agora que virei abóbora nessa noite de sexta-feira que prometia tanto quando o sol se escondia atrás das árvores e do vento. Agora que me rendi ao conforto do algodão, da pena de peito de ganso, das pantufas e das meias de lã.
Agora que olho a noite viva e me encolho numa bola de gente, posição fetal, e absorvo o conforto do quente na pele, na cara. Como uma tartaruga que não quer sair do casco. A impressão é que se eu esticar uma perna para fora o mundo todo vai ruir. Não esse mundo lá fora, noite fervida com gelo, pessoas e ruas e carros; mas esse mundo que é só meu, esse mundo cosy, esse mundo de tecidos e de camadas e de uma segurança besta mas saciadora. A impressão que fica nesse momento que parece eterno mas que o sei efêmero é que eu me basto e isso me basta para-todo-o-sempre de agora.Qualquer coisa e tudo pode acontecer nesse mundo lá fora. O mundo externo se dilui como um sonho no momento do despertar. Nesse Agora, a realidade e a vida que eu conheço sou eu, perdida por entre as folhas de conforto flutuante. Não existe o pretérito-mais-que-perfeito ou o futuro do subjuntivo. Só conheço um tempo verbal que me permanece intacto - e presente - até me levar para o mundo paralelo. O meu mundo paralelo: do nonsense, das cores que se criam por combustão, da alinearidade lógica...
ana banana 2:56 AM[+] +
.Sexta-feira, Maio 04, 2007.
that's life cantada pelo magnífico Frank Sinatra. Tuxedo, charuto, big band atrás. Imagina New York, anos 50, drinks, fumaça. E pronto:
(começa com um órgão derretendo)
That's life!
(backing vocals em vestidos brilhantes: that's life),
that's what all the people say.You're ridin' high in April, shot down in May.But I know I'm gonna change that tune
When I'm back on top, back on top in June
I said that's life (that's life), and as funny as it may seem
Some people get their kicks stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down
'cause this fine old world, it keeps spinnin' around
I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself flat on my face
I pick myself up and get back in the race
(Metais! Metais! Metais!)
That's life (that's life), I tell you I can't deny it
I thought of quitting, baby, but my heart just ain't gonna buy it
And if I didn't think it was worth one single try
I'd jump right on a big bird and then I'd fly
(Mais metais!)
I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself layin' flat on my face
I just pick myself up and get back in the race
That's life (that's life), that's life and I can't deny it
Many times I thought of cuttin' out but my heart won't buy it
But if there's nothin' shakin' come this here July
I'm gonna roll myself up in a big ball a-and die
My, my!
ana banana 12:31 PM[+] +
.Quinta-feira, Maio 03, 2007.
Dal labbro il canto estasïato vola
Pei silenzi notturni e va lontano
E alfin ritrova un altro labbro umano
Che gli risponde colla sua parola
ana banana 2:09 AM[+] +
.Sábado, Abril 28, 2007.
das andanças noturnas.
o que é da madrugada que me atrai tanto? especialmente essas madrugadas paulistanas em que o frio resolve dar as caras e a brisa escova a cara, gelando um pouco o nariz e afastando o cabelo dos olhos. O cigarro fica melhor, mais enjoyable, mais significativo; a solidão e a melancolia se tornam ótimas companhias; o silêncio é acolhedor...
As coisas parecem certas, mesmo as incertezas que pipocam na cabeça. O tédio deixa de existir - o tédio é veronil- e o confortável está em todas as partes.
A cabeça parece que funciona melhor, mesmo nas dissecações impossíveis e intermináveis que fazemos sozinhos. Os impulsos carnais se acalmam, e o jazz se torna absolutamente necessário.
O inverno da madrugada ( ou mesmo só o outono) traz os questionamentos profundos, traz as mudanças estruturais, traz os sonhos ingênuos que passeam com as folhas no vento.
A noite é elegante quando não é grudenta. Ela traz o blues de dentro do âmago, mas traz também aqueles meios sorrisos tão sutis.
É bom, as vezes, sair por aí acompanhado pela solidão, olhar o céu, acender um cigarro e absorver a beleza da melancolia....
ana banana 5:00 AM[+] +
.Quinta-feira, Abril 26, 2007.
overheardinnewyork.com : Sex is overrated... but sleep isn't.
ana banana 2:40 AM[+] +
é hora de colocar as cartas na mesa, de falar o não-falado, de marcar época - mesmo que para as moscas. Momento self-indulgent que significa mesmo que só pra mim. Balanço e balancete do fim de um trimestre, um semestre, um ano...
Faz um tempão que não tenho a paciência - nem a cara de pau - de sentar e refletir conscientemente sobre quem eu sou, o que mudou, o que aconteceu. E confesso, não é tarefa simples nem tampouco agradável. É um momento de exacerbação do egocentrismo, da arrogância - que se torna necessária - da Assumpção que isso é relevante. Antes o fazia sem considerar seu perigo de cair num mundo ensimesmado, mas agora a cautela ci vuole...
parte 1 (da globalização e de I Pagliacci)
Fatos isolados e interdependentes:
A PUC que permanece igual com seus corredores decadentes, suas salas mal-frequentadas. As mesmas pessoas desinteressantes que fazem planos para um futuro incerto, que sobem e descem escadas conversando, tomam cerveja e regurgitam informações. A biblioteca desacolhedora que de tempos em tempos hospeda alunos frenéticos preocupados com provas e com o mercado de trabalho. Aulas desmotivantes e colegas desmotivantes. Parece até um anacronismo. Tudo muda menos aquilo.
Encontrei as poucas e significantes exceções e elas me encontraram também. Nos encontramos como abelhas numa colméia. Nas entrelinhas de um conto cortazareano.
Outros satélites divertidos que circulam em órbita, às vezes se tornam mais visíveis e outras vezes completamente invisíveis.
As relações internacionais é uma disciplina prepotente: é vago e abrange tudo dentro do conceito de "globalização". Tudo pode ser internacional. Mas a verdade é que RI não comporta nada como área do conhecimento. Especificamente não trata de nada enquanto trata de tudo. Falemos eloqüentemente da Política Externa Brasileira, da análise das escolas teoréticas para a dinâmica internacional, das Organizações supranacionais, dos tratados e das relações de poder. Impressionemos nossos colegas com o pensamento fukuyâmico, as ordens mundiais. O futuro dos internacionalistas é o comércio exterior. A importação/exportação. As empresas multinacionais. O poder de criação em cima dessa graduação é quase mínima e tarefa árdua para algumas exceções. A maior parte flutua entre o desespero de ser lançado para a vida e o contentar-se com qualquer coisa que vier.
Das descobertas
E assim, numa noite jovem de sexta-feira, me vesti de modo galante, com sapatos e vestidos numa tentativa de explorar algo novo. E foi assim impecável que busquei um amigo na Angélica e que fomos assistir um espetáculo. E das conversinhas entre-atos, da cafonice do cenário, de um concertato incrível e uma noite maravilhosa, uma nova paixão: a ópera. Um pé dentro do entretenimento de séculos atrás, da beleza musical das árias, do gosto pela tragédia encenada. A capacidade dramática da música cresce exponencialmente quando combinada com árias específicas ou librettos inteiros. É a forma mais completa de arte como espetáculo: dança, teatro, música - tudo junto.
Escutar ou assistir (ou ambos) são formas complementares de sentir quando falamos de ópera. Quando apenas se sente a ópera (escutando) a beleza sonora e - quando se entende os diálogos - a beleza literal levam o coração e a mente para um outro plano onde as emoções acompanham o ritmo das músicas. Assistindo a montagem viva da obra- quando boa - a admiração e a saciedade dos sentidos se torna completa de tal maneira que é possível entrar em transe. Mas é perigoso esse mundo: a verdade é que ouvindo uma ópera se pode tanto sair assoviando com vontade de tomar champagne quanto com vontade de se tacar de uma torre.
Sem contar a possibilidade de transitar no mundo da mais tradicional sofisticação, se imaginando nas cortes francesas ou italianas de séculos atrás.
Talvez o meu gostar desse nova descoberta musical tenha uma razão mais profunda do que o simples liking of it. Considerei, essa tarde, que talvez fosse um certo tipo de antídoto ao bombardeamento de comédias românticas que tem por aí. Os mesmos filmes água-com-açucar que me enchem os olhos de lágrimas esperançosas e melancólicas. O amor existe no mundo de Puccini e Verdi, mas quando não acaba em tragédia acaba com uma sátira feroz, um escárnio. É um alívio ao certo...
ana banana 12:36 AM[+] +
.Sexta-feira, Abril 13, 2007.
hoje a noite, ao chegar em casa de um dia de fadiga, mau-humorada e com fome, descobri algo interessante sobre a minha pessoa:
Sem sinal de um jantar preparado por mami-le ou um resto de take-out, vi que eu mesma teria que me preparar qualcosa per mangiare se quisesse saciar os amargos roncos do meu estômago. Pra cozinha eu fui, coccinare. E quando meu prato pronto estava lí na mesa vi que tudo era picante. Tomates pelados com muito alho, cibola, pimenta, sal, tomilho e azeite; insalate com azeitonas chilenas, limão, sal, azeite e mostarda.
Foi quando eu percebi que eu gosto de sentir o gosto intenso: o picante, o ardido, o azedo intenso. O fogo da culinária. E sempre é assim. As coisas precisam ter um gosto interessante para me atrair.
Mas o que eu faço com essa informação nova, eu não sei.
ana banana 1:31 AM[+] +
.Terça-feira, Abril 03, 2007.
A new era has come along, and on that note i leave you with my brand new podcast.
First episode has a little spice to it: a bit of the old-time blues we love so much, a hinch of R&B, folk-blues, and some of that Motown we can't get enough of.
Feel free to snoop around listening to the Pancake Factor Podcast: http://pancakefactor.podomatic.com
grazie mille,
the pancake factor staff
ana banana 12:59 AM[+] +
.Segunda-feira, Março 12, 2007.
Bob Bullet, a private eye - The mistery of Betsy-Lou Winters part 2
Esperei a ironia da noite molhada. Tudo em seu devido tempo. Acendi um cigarro amassado e joguei o fósforo longe. O quarto estaria completamente breu se não fosse a luz da lua crescente que entrava pela janela do canto. O fósforo iluminou por um instante a parede. Encostado, uma poltrona velha com o estampado desbotado; roupas e papéis espalhados pelo chão; um vaso ming quebrado, claramente falso. O lugar estava uma espelunca. Ou o decorador daquela casa era psicótico, ou tinha sido revirado às pressas.
Mais uma noite na minha vida. Sou bob bullet, detetive particular.
A intoxicante morena que tinha aparecido no meu escritório tinha me deixado esse endereço, caso eu precisasse de mais informações sobre o caso. E nada fazia sentido. Bestsy estava morta - envenenada, sem dúvida - Matt e Susie poderiam estar envolvidos, mas como? Esse mistério poderia ser dos grandes, envolvendo pessoas em lugares altos, e eu poderia tirar uma grana alta dessa história toda... isso é, se eu conseguir juntar todas as peças do quebra-cabeça.
Mas o que mais me preocupava naquele momento não era Matt nem Susie, nem a morte da minha querida amiga Betsy-Lou, o que tinha minha total e incondicional atenção era o fato que tinha alguém atrás de mim com uma .45 apontada pra minha cabeça. O perfume não engana. Virei lentamente e lá estava a morena.
Olhei para ela como se olhasse para qualquer mulher estrondosa que me passasse na rua e isso deixou ela nervosa.
"Você estava envolvida nisso o tempo todo" falei jogando o cigarro entre pedaços do vaso quebrado. "Só não entendo porque você me contratou se você era culpada de tudo"
"Queria afastar suspeitas" me respondeu tremendo as mãos que seguravam o revólver. "Só não achei que você fosse bom o suficiente para solver o caso".
Não estava entendendo nada que saía dos lábios vermelhos da morena, eu não tinha solucionado nada. Estava lá para pedir mais informações. Mas resolvi entrar no jogo dela.
"Então Winters tinha descoberto seu affair com o Matt; e você resolveu apagar os arquivos para não arranjar encrenca?" chutei longe
"Eu não poderia deixar a piranha da Betsy-Lou estragar meus planos com o Matt. Eles começaram a sair para tomar drinques na cidade, sair para dançar. Quando ela começou a chantegea-lo, eu tinha que por um fim a isso."
Enquanto a morena explicava a história toda eu consegui pegar a minha .38 dentro do meu bolso com a maior discrição possível. Antes que ela acabasse de falar Betsy-Lou Winters, saquei minha arma e mandei um chumbo no ombro esquerdo dela. A arma caiu de suas mãos e seu corpo caiu inconsciente no chão. Chutei a .45 pra longe e acendi outro cigarro. Era uma pena ver uma morena tão linda manchada com sangue.
Antes de voltar para casa e mandar os cachorros pra lá, tirei duas notas de cinqüenta da bolsa dela. Afinal, alguém tinha que pagar meu Bourbon.
ana banana 11:54 PM[+] +
.Sábado, Fevereiro 24, 2007.
Memories of a coke bottle.
A usual rainy day in august, with the same usual noise of cars running around, beeping, motorcycle engines, people walking rapidly, and a little girl looking out her window on the 17th floor at 433 Narnia st.
Alice was an imaginative person. She could spend hours looking out her little window , imagining whole-life stories of the tiny people passing by.
Every day after school she would run to the window and just observe the world . Locked in her tiny room the only thing she thought about was how big the world was. Same thing, over and over again. Not only did she create a new world and characters, but she would say it out loud, as if telling a story. Only there was no one else in the room besides a few semi-broken dolls, and some other old objects.
My story starts on the other side of town , where creeps walk around and the old warehouses used to be. I guess you could call it home. Glass bits around the streets, and broken windows everywhere was the classic scenario I was use to.
Handled carefully from the coast of the Atlantic ocean , the first thing I remember was a strange looking truck, loading itself with what would futurely be me and my brothers. A little fat man mumbled a lot from the front seat , and whenever he did , the nameless dog beside him barked . And it kept on like that most of the time. Anyway, I got the chance to see the stars whenever there were clear skies at night. And I spent the whole night thinking about how significant I was to the world, being an unaminated object and all. That¿s when I had my first existencial crisis. No worries, though, it ended as soon as I got into the oven.
It actually was hard to say goodbye to the truck owner and his dog, when I finally got where I had to go, although he didn¿t feel quite the same, I believe.
The oven was a drastic change for me. The intense heat modified my way of seeing my self, and physically I had transformed into something purer. My self-esteem was boosted! I was ready to conquer the world.
In a question of days I was molded into a long cilindric shape, what people like to call a bottle, and shipped to somewhere else. This time, we were stacked in shelves and being on the bottom, as I was, it was pratically impossible to see the sky. Good thing is I got to work on my people skills. I´m not sure if i should mention this but I¿m kind of a loner, and being placed so closely to other fellow bottles I was forced to say good morning, at least. Met one that said he was from a beach far north, and traveled down here in a traveler¿s shoe. Funny story indeed.
Finally I got to the ackward neighborhood, the one with all the broken glass. Scary place I gotta say. Well, let me continue with my story. I spent a few years locked in a basement before they even considered giving me a bath, and feeding me. But finally it happend. Rubber hands picked me out of a thousand, washed me up, and forced a sweet, thick, black liquid into me. I blacked out as soon as they sealed me.
When I got back to myself I was inside another truck, and it was very dark. Suddenly the back door opened, and crushing light almost blinded me. I was carried into a small convenience store, placed on the top shelf. A whole summer went by, people walking in and out, making that annoying sound of a bell, when the door opens. I continued static on the shelf observing everything. One day Alice came in. From all the other shiny new bottles she chose me, and took me with her, home. Since then i¿ve been sitting on this desk hearing her tell me stories about the people outside, fascinated by all the million things happening simultaniously out there.
I¿m happy here. Sometimes she¿ll clean me, taking the dust off, and stick a few pencils in me. Other times she¿ll just let me be, dirty and all.
ana banana 3:27 PM[+] +
.Segunda-feira, Dezembro 25, 2006.
bye-bye LBBW
pedi as contas - ou foram pedidas pra mim?
saí saltitando daquele escritório na sexta-feira - para sempre.
Caixinha de papelão - bem típico dos filmes e sitcoms americanos, todos meus pertences (que incluiam: um porta-caneta de singapura, meu cabo de usb, fotos tiradas no escritório, algumas canetas e papéis). Bem que eu tinha que ter arrojado com um daqueles elfos dos anos noventa, foto da família, das crianças, doodads em geral. Mas tudo foi compensado com uma quantidade absurda de office supplies: envelopes, clips, bloquinhos de nota, canetas e lápis, folders de plástico - tudo que eu sei que vou perder em três segundos dentro da minha casa-buraco-negro.
larguei as transações financeiras internacionais e ganhei uma caixa de natal e um bônus de final de ano.
agora o terreno é livre para divagações e para a criatividade cinematográfica.
e para a Bahia.
ana banana 5:08 PM[+] +
ç
ana banana 3:53 PM[+] +
.Sábado, Dezembro 23, 2006.
Os Limites da Doutrina Bush
O fim da Guerra Fria pôs em questão novas doutrinas para a política externa. Não mais haveria necessidade de exercer duas principais áreas de influência distintas, nem sequer pensar no mundo como bipolar em termos de poder. O fim da Guerra Fria fez dos EUA vencedor e hegemônico. Mas a verdadeira inovação veio com a Administração Bush que instaurou no poder a visão neoconservadora das relações internacionais.
Essa vertente mais radical busca a superioridade militar e a expansão, com elementos morais-idealistas que visam espalhar democracia e liberdade pelo mundo através de um intervencionismo ou de ameaças de uso de força como forma de estratégia dos interesses americanos no plano internacional. Depois dos ataques de 11 de setembro, a administração Bush conseguiu apoio popular doméstico, e, em certa medida internacional, para perpetuar - e intensificar - sua política neoconservadora na política externa americana. O que era visto na guerra fria como a "ameaça comunista" passou a ser visto como a "ameaça do terrorismo islã".
Com o desenrolar da Guerra do Iraque, o governo Bush e os neoconservadores da administração subestimaram a dificuldade de conseguir resultados positivos no Iraque e também a maneira que o mundo reagiria com o uso do poderio americano; ficaram presos a uma idéia de dinâmica internacional vindo da guerra fria, quando os Estados Unidos agia primeiro e buscava a legitimidade da ação em segundo plano, geralmente justificando com a possível perspectiva da guerra nuclear. Mas, no plano pós-guerra fria, o cenário mudou e a dinâmica também. Tal foi a mudança na dinâmica que fez com que ações unilaterais ilegitimadas dessa maneira trouxeram grandes problemáticas na visão mundial, inclusive de grandes aliados.
A Doutrina Bush consiste de, essencialmente, quatro elementos principais: A crença na obrigação moral americana de proliferar conceitos de democracia e liberdade pelo mundo; A guerra preventiva, quando as ameaças terroristas não podem ser contidas com a doutrina da dissuasão; o unilateralismo, que fundamenta a necessidade da guerra preventiva; e a consolidação da hegemonia americana no cenário internacional, completamente: econômico, político e militarmente.
"We will not hesitate to act alone, if necessary, to exercise our right of self-defense by acting preemptively against such terrorists; to prevent them from doing harm against our people and our country - nations need not suffer an attack before they can lawfully take action to defend themselves against forces that present an imminent danger of attack"
A capacidade americana de combater esse terrorismo unilateralmente diminuiu drasticamente depois da invasão ao Iraque. Essa guerra sugou as forças militares, a energia, os recursos e o apoio da comunidade internacionais dos EUA. Assim, as chances e a possibilidade de lidar coercitivamente com as outras ameaças estatais quanto às armas de destruição em massa (tanto o Irã quanto a Coréia do Norte) foi reduzida. Países que talvez sejam mais perigosos e certamente são mais fortes que o Iraque - dado pelo Bush como "the central front" no combate contra o terrorismo.
A partir da então Guerra do Iraque, o apoio da comunidade internacional diminui. O que contribuiu para essa queda é, entre outras coisas, a questão da legitimidade - ou no caso falta dela - das ações americanas, que tem suas raízes ainda mais profundas do que a discussão em cima da Doutrina Bush. Visto como um consenso de opinião (seja formalmente política ou pública), é necessária para dar ao poder motivos para submeter os cidadãos - aqui entra a pergunta ilustrativa: Por que você dá seu dinheiro, sem hesitar, a um cobrador de impostos e não a um ladrão? -. Legitimidade, então, vem da ação estatal dentro do âmbito da lei em dois sentidos: Na visão idealista, a legitimidade vem através do Direito Internacional, das normas morais e legais; na realista, do consenso das grandes potencies, os grandes atores do sistema;
A reivindicação da legitimidade no unilateralismo presente nas raízes da doutrina Bush é uma questão complicada. Numa era de interdependência mundial, em teoria, as Nações Unidas e a opinião pública mundial devem estar em acordo para conceder legitimidade à uma intervenção externa de um estado em outro, uma vez que os estados são os principais atores4.
A oposição demonstrada na época da Guerra do Iraque mostra a contradição das ações Americanas quanto a essa legitimidade.
"The United States has gone down a road in which the use of force has become a chronic feature of U.S. foreign policy, and the country's security has been weakened rather than bolstered as a consequence. It is true, of course, that the American public does not like the idea of deferring to others, but it may come to see the advantages of doing so once it appreciates that enterprises undertaken on a unilateral basis must be paid for on a unilateral basis. Ultimately, however, the importance of legitimacy goes beyond its unquestionable utility. Certainly the leaders who earned the United States' reputation for legitimacy in the post-World War II era believed it to be a good in itself."
Sem o apoio nem reconhecimento legítimo da ofensiva, os Estados Unidos afirmou seu descaso com a segurança internacional - apesar de dizer o contrário nos discursos - e seu hegemônico poderio militar que serviria para reiterar o "americanocentrismo", sem considerar, se vier a se tornar contra ele, a opinião internacional. Num âmbito interno, o vácuo de apoio resultou, no imaginário americano, uma sensação de uso inapropriado de impostos; e, com a desculpa que estavam combatendo o terrorismo dentro do território, houve uma quebra de privacidade dos cidadãos.
As pretensões benevolentes dos Estados Unidos quanto ao mundo, não foram bem aceitas, no geral, pela comunidade internacional por duas principais razões. Essas pretensões foram baseadas na arrogância hegemônica americana, usando o exepcionalismo como premissa, na idéia que poderiam usar o poder em instâncias que outros países não, porque seriam mais virtuosos6; a convicção que eles seriam a "força do bem" contra o "mal" maniqueísta. Inclusive, semelhante a uma epopéia heróica em contos infantis. Os Estados Unidos não precisaria pensar duas vezes antes de impedir a Rússia, a França ou a Índia de tomarem atitudes unilaterais, semelhantes às americanas, mesmo que com discursos morais de democracia e liberdade. A segunda principal razão do desagrado internacional foi a questão da competência americana. O desrespeito ao Conselho de Segurança da ONU foi meramente secundário aos olhos dos dirigentes europeus, principalmente. A preocupação viria da avaliação da capacidade americana de transformar intenções nessa competência que a administração Bush tanto enfatizou. Ao que parece, com o decorrer da ocupação iraquiana, questões surgiram quanto às premissas que levaram o exército americano a atravessar os continentes, se eles realmente sabiam o que estavam fazendo, tentando democratizar o Iraque.
Mas a doutrina Bush contém um paradoxo nas conseqüências das suas ações: Seu unilateralismo e sua arrogância frente ao mundo (e descaso com a opinião de aliados europeus) estão provocando -e provocarão ainda mais - uma desunião do Ocidente. Num mundo em que a ameaça é islã, em sua grande maioria, um ocidente unido acarretaria num maior poder de barganha. Na perspectiva de Huntington, essas duas civilizações estão em conflito - conflito esse que não se resolverá tão prontamente. Se a política externa afastar cada vez mais seus aliados em prol de uma guerra genérica ao terrorismo, provavelmente ela se afastará de seus objetivos iniciais. Mesmo sendo o Estado mais poderoso econômica e militarmente, os Estados Unidos da América não conseguem se sustentar sozinhos numa guerra de âmbito mundial contra todas suas consideradas ameaças (sejam grupos terroristas, guerrilhas urbanas, estados ditatoriais, produtores de arsenais nucleares ou vendedores de Armas de Destruição em massa).
Assim, a Doutrina Bush, por essas razões, está num processo de decadência, que um dia vai culminar na sua ruína. As próximas eleições norte-americanas vão ser de extrema importância por isso. Independentemente do partido que vencerá, seja democrático ou republicano, o mundo com certeza vai observar mudanças na política externa. Mas dependendo das mudanças que ocorrerão, os Estados Unidos se encontrarão numa posição de nem amada, nem temida.
"Machiavelli famously asked whether it is better to be feared or to be loved. The problem for the United States is that it is likely to be neither. Bush¿s unilateralism and perceived bellicosity have weakened ties to allies, dissipated much of the sympathy that the United States had garnered after September 11, and convinced many people that America was seeking an empire with little room for their interests or values"
ana banana 7:08 PM[+] +
.Sexta-feira, Dezembro 08, 2006.
musiquinha para animar os espíritos nesse começo de verão-férias com promessas de um novo ano e grama alta. com praia e mar e gafanhotos pulantes. Noites quentes, suor e hormônios. Risadas e sucos-de-acerola-com-laranja. Saladas frescas, chuvas fortes e bicicletagens pela cidade vazia. areia no pé, cerveja gelada, e muita música.
My little grasshopper
Airplane cannot fly very high
I find you so far from my side
I'm lost in my old in my own green light
Don't help me, my love
My brother, my girl
Just tell her name
Just let me say who am I
Her big white plastic finger
Surrounds my dark green hair,
But it's not your unknown right hand
But it's not your unknown right hand
Oh, don't help me, my love
My brother, my girl
Just tell her name
Just let me say who am I
I am the sun, the darkness,
My name is green wave death, salt
South America's my name
World is my name, my size
And honor my name
Hear my
My little grasshopper airplane
Cannot fly very high
Oh, don't help me, my love
My brother, my girl
Just tell her name
Just let me say who am I
ana banana 1:12 PM[+] +
.Terça-feira, Novembro 07, 2006.
Que onda, che?
Buenos Aires e tal. Marion, honey babe, num apartamento lindinho, uma holandesa simpática, uma francesa mau-encarada. Papo que vai e vem e coisa e tal. Passeio belo por Palermo e suas lojas e restaurantes e bares descolados. Tudo lindo, tudo bueno, saca? Pessoas bonitas, ruas arborizadas, perdições num sol de fim-de-tarde. Macarronada, vinho, muito café, sorrisos e risos, charutos, fotos, risadas e muito - mas muito- cigarro. Jogo da Amarelinha no sofá, Chico e Miles. Inglês, holandês, espanhol, português, italiano, francês e às vezes alemão (ashtray, ahkbok, cenicero, cinzeiro, portacenere, cendrier, aschenbecher ). Tudo na mesma sala, na mesa tarde. D-E-L-I-C-I-A (e a noite nem começou ainda)...
-----
Loucura no metrô (2.11.06). Moça histérica quebra do vidro de emergência (pelas minhas mãos), uma hora de calor insuportável e uma grande família no vagão porteño. Passeio crowdeado e cansativo pelo microcentro (não antes de ter que adivinhar como chegar lá - com o rompimento do metrô). Florida, Pacífico, turistas, pessoas, couro... pés que doíam e uma pausa no meio da sarjeta argentina. Mais caminhadas e café longo no café Tortoni com seu ar bo~emio do começo do século. Metrô de volta para casa. Risadas amigas, bruschettas mal calculadas e tomates fritos. Jantar Ana + Daphne + virgin geeks+ israelense arrogante + americanas bem americanas num lugar bonanza = carne + champagne + cara de tédio. Depois o Partying with the beastie boys. Rum com Dátiles no Zanzibar.
ana banana 9:12 AM[+] +
.Terça-feira, Outubro 24, 2006.
O quarto estava quase totalmente às escuras e ouvia-se o chilrear da agulha do velho disco. Por que ali, por que o clube, aquelas cerimônias estúpidas, por que eram assim esses blues quando Bessie o cantava? Encostava nela, que estava completamente embriagada e chorava em silêncio ao escutar Bessie, estremecendo a compasso ou contratempo, engolindo o soluço para não se afastar por nada dos blues da cama vazia, a manhã seguinte, o sapato molhado, o aluguel sem pagar, o medo da decadência, imagem cinzenta do amanhecer no espelho aos pés da cama, o blues, o tédio infinito da vida. Não é possível que isto exista, que estejamos verdadeiramente aqui. "Não chore, nada disso é verdade" "oh, sim, é verdade sim" "talvez seja, mas não é a verdade" "é como estas sombras; e nós estamos tão tristes porque tudo isto é tão bonito".
Aquilo tudo, o canto de Bessie, o arrulho de Coleman Hawkins, não seria tudo mera ilusão, ou talvez algo ainda pior, a ilusão de outras ilusões, uma corrente vertiginosa para trás?
ana banana 1:16 PM[+] +
a quantos quilômetros se encontrariam um do outro, esses dois que, numa futura noite de Paris, se batiam de guitarra contra corneta, de gin contra má sorte, o jazz.
(ponha o jazz me blues)
ana banana 11:40 AM[+] +
.Quarta-feira, Outubro 18, 2006.
... deixar de lado tudo aquilo que me separa do centro. Acabo sempre por me referir ao centro sem a garantia de saber o que estou dizendo, acabo sempre, enfim, por ceder ao engano fácil da geometria com que se pretende coordenar as nossas vidas de ocidentais: eixo, centro, razão de ser, Ônfalo, nomes de nostalgia indo-européia. Mesmo esta existência que, por vezes, procuro descrever, esta Paris onde me movo como uma folha seca, não seriam visíveis se, por trás, não pulsasse a ansiedade fundamental. Quantas palavras, quantas nomenclaturas para o mesmo desconcerto. Por vezes, chego a me convencer que aestupidez se chama triângulo, de que oito por oito é a loucura...
ana banana 1:09 PM[+] +
.Quarta-feira, Outubro 11, 2006.
Is it the booze talking?
dessa vez o pouco sono e os remanescentes alcólicos no sangue (3 horas e 3 cachaças) surpreendentemente me fizeram bem... ou não tão mal quanto da última vez que apareci pelo escritório com maquiagem escorrida e cara-de-quem-não-dormiu. Dessa vez o sol bate forte na janela e eu estou animada e bem disposta. (claro as coisas ainda giram um pouco, mas nada de ressaca nem enjoo).
Penso até em nadar na hora do almoço e um pilates a tarde.
Acho que quando algumas coisas se resolvem, a gente fica mais feliz no geral, e as coisas encaixam e fazem sentido.
Ou não... could be the booze talking. Mas abro um sorriso. Vou até a padaria tomar um belo café-da-manhã de pão-na-chapa-bem-passado e sucão de laranja.
comeria até uma salada (se não fosse 9 da manhã)
ana banana 9:08 AM[+] +
.Segunda-feira, Outubro 09, 2006.
The History of Rock
by the uncyclopedia
On June 28, 1914, Chuck Berry, Archduke of Austria and heir to the Austro-Hungarian throne, was assassinated in Sarajevo by Gavrilo Princip, a Bosnian Serb student. He was part of a group of fifteen assassins, acting with support from the Black Hand, a secret society founded by pan-Serbian nationalists, with links to the Serbian military. The assassination sparked little initial concern in Europe. The Archduke himself was not popular, least of all in the Austro-Hungarian Empire. While there were riots in Sarajevo following the Archduke's death, these were largely aimed at the Serbian minority. Though this assassination has been linked as the direct trigger for World War I, the war's real origins lie further back, in the complex web of alliances and counterbalances that developed between the various European powers after the defeat of France and formation of the German state under the leadership of Otto von Bismarck in 1871.
This eventually triggered the invention of rock and roll in 1962 in Liverpool, Pensylvania, by a band called the Beatles. Their line up consisted of Paul McCartney (Bass), Natasha Bedingfield (guitar and Vox), George Harrison Ford (lead guitar) and Animal from the Muppets (Drums).
ana banana 3:01 PM[+] +
.Sexta-feira, Outubro 06, 2006.
Bob Bullet, a private eye.
A fumaça do meu cigarro se misturava a fumaça do meu .38. Se os negócios fossem tão bons quanto minha apontaria, eu estaria numa boa. Em vez disso, tenho um escritório na rua 17 e um péssimo relacionamento com um monte de cobradores.
Sim, sou eu, Bob Bullet. Eu tenho oito doses dentro de mim. Uma é chumbo e o resto é Bourbon. A bebida bate duro mas eu bato mais. Sou um detetive Particular.
A bebida é amarga, mas a vida não tem se provado melhor do que isso. Eu só chamo encrenca pro meu lado. Quando a cidade está silenciosa demais, quando só se escuta os uivos dos vira-latas vagabundos, é sinal que alguma coisa vai aparecer no pé da escada do meu escritório.
Dessa vez não foi diferente.
De repente, minha porta abriu num estouro, e a encrenca entrou - Morena, como sempre.
(era uma dona mandona, mas tinha um caso).
Um metro e meio de pernas num vestido de cetim vermelho. O mesmo vermelho dos lençóis da cama da morena, imaginei. Seu perfume era embriagante e instantaneamente contaminou a sala inteira. Sentou em cima da mesa (como elas sempre fazem), a maquiagem escorrida e os cabelos soltos no ombro. Ofereci um cigarro e ela prontamente aceitou.
A moça estava histérica. Ela era do tipo que podia quebrar meu coração. Mas as cicatrizes do meu último envolvimento ainda estavam abertas. Não, não poderia cair no encanto dessa morena. Era só um bico para pagar as contas.
A chuva já caía incessante lá fora e as goteiras me enlouqueciam caindo nos baldes, assim como as perguntas que martelavam em flashes na minha mente. Por que Matt estava com tanta pressa? Onde Susie tinha arranjado a arma?
Eu precisava de uma pista e de um drinque. Um deles eu sabia onde arranjar.
Tinha planejado tirar a tarde de folga com meus companheiros. Meus amigos viajam leve e são divertidos de ter por perto. Um viaja num maço e o outro num cantil; eu os chamo de Mal & Jack e eles são toda a família que eu preciso ter.
Eu sabia de cara que ia precisar de ajuda para quebrar o caso. - E mais importante : tinha que ser antes de quinta-feira quando vinha o Bill, meu bookie, me cobrar. Maldito! Me fez apostar no cavalo número dois, aquele perdedor. Não tinha escolha, tinha que passar na casa da Betsy-Lou Winters.
Betsy era uma garota durona. Tinha a marca da vida no corpo; fugiu cedo do Idaho para ser dançarina na cidade grande. O rosto dela sugeria que alguém lá em cima tinha um senso de humor estranho. Mas eu não ia lá para dar umas risadas. Precisava de informações.
Tinha uma cobertura na 7ª, parte nobre do bairro, que herdou do marido (morto pela minha .38). Ela sabia de tudo que acontecia na cidade mas cobrava caro. Sorte a minha que ainda me devia uma.
Parei na loja de licor que tem na esquina da minha rua com a Pellow drive e comprei o que betsy e eu tínhamos em comum: Uma garrafa de Jack 12 anos. Mandei o Joe colocar na conta, eu estava duro. Acendi o cigarro saindo da loja e fui andando em direção ao apartamento dela. Eu podia pegar o ônibus 375, mas o maldito prefeito proibiu fumar em transportes públicos. E eu preferia andar, de qualquer jeito.
Como eu via, Winters se comportava de maneira que ficava irritantemente satisfeita consigo mesmo para uma mera dançarina que se deu bem na vida. Ela abria um sorriso de canto de boca toda vez que se achava genial. Não é necessário dizer que passava dias a fio com o tal sorriso maroto.
Cheguei ao apartamento e bati na porta duas vezes como de costume; quando ninguém atendeu imaginei que estivesse no bar do hotel Ritz com alguma de suas companhias masculinas, rindo em falsete com os braços amarrados no sujeito.
Sentei na entrada e acendi outro cigarro. Resolvi juntar todas as informações sobre o caso. Matt, Susie, o broto de vermelho... alguma coisa estava muito errada. Não tinha dúvidas que Betsy sabia de alguma coisa. Mas... será que ela cantaria?
Arrombei a porta do 1105 e lá estava ela. Vestida inteira numa roupa de gala, maquiagem feita, aquele batom típico de Ms. Winters... Estava mais bonita do que nunca. A janela estava aberta e de lá as luzes da cidade se contrapunham as taças bebidas de champagne em cima da mesa. Mas Betsy-Lou estava estirada no chão, sem vida, ainda de salto.
¿Boneca, você está um arraso¿ sussurrei leve no seu ouvido.
Sentei na poltrona, abri o Jack, brindei e dei um gole largo.
¿Gata, bem que eu queria lhe fazer companhia, mas os jornais devem estar chegando e a última coisa que eu preciso é me envolver nessa¿. Dei um último gole e saí do mesmo jeito que entrei.
Alguém chegou nela antes do que eu. E conhecendo o broto, sabia que era difícil calar a sua boca. Antes de voltar para o escritório, passei no endereço que a morena tinha me deixado. Quem sabe ela poderia me esclarecer algumas coisas.
Ou ela tinha um decorador psicótico ou alguém revirou o lugar com grande pressa.
Estava fuçando por aí em busca de pistas quando o click de um martelo sendo pressionado atrás do meu pescoço garantiu minha total e incondicional atenção.
to be continued
ana banana 7:03 PM[+] +
.Quarta-feira, Outubro 04, 2006.
demorou, mas achei o linux. descobri o bendito linux. Claro, tem que começar devagar. Kubuntu chama o meu. e tem tudo. É Thunderlinux; tudo que você pode imaginar e mais. direto de miami.
Pá!
(enquanto isso, tangencio os limites humanos nesse trbalho árduo de orgaização de eventos internacionais e edição de vídeos que não querem ser editados. Ah, amanhã tudo acaba e eu vou marcar uma massagem longa pra mim.)
ana banana 1:31 AM[+] +
.Terça-feira, Outubro 03, 2006.
ai esses vídeos que me cansam. Não querem ser editados. As últimas cinco horas foram em vão. e o sono vai ficando pra trás.
ê vida de cineasta como é pesada. noites em claro na frente do computador.
Só falta esse, meu deus. Só mais um... e acaba. publish and print. Mas não. Esse último tá me dando uma trabalheira só.
Já to estressada, acabada, cansada, mau-humorada.... que mais pode querer?
Mas digo que esse negócio de vídeo é bem melhor que transações financeiras internacionais.
ana banana 12:26 AM[+] +
.Quinta-feira, Setembro 28, 2006.
HÁ. Garotas Suecas tocando na sua emetevê, no pré-show do VMB, direto do corredor do segundo andar (aquele na frente das suites do credicard hall). Tocando baixinho mas queimando todo mundo que vier com o roquenrol barato-total.
E depois, é claro, a festa com todas as bebidas do mundo de graça.
ana banana 11:28 AM[+] +
.Quinta-feira, Setembro 21, 2006.
das cotações independentes
Hoje eu fiz minha primeira cotação sozinha; sem pedir autorização nem conselhos de ninguém. Hoje quem decidiu o preço fui eu. Pá! 600euros all in. Sem hesitar nem gaguejar. Assim mesmo; seco, frio e certeiro.
Fiz os cálculos oito vezes para não repetir o erro da última vez (que quase perdi 50mil euros que não eram meus). Eu que achei que nunca mais ia me utilizar de matemática mais complexa do que dividir a conta do bar, agora sou nerd da calculadora: Vem juros, vai basis points, Euribor por 6 meses, valor do financiamento vezes o valor do pedido. 15% de sinal; spread de 2%; custo hermes e assim vai. Contas e contas e fórmulas financeiras.
Mas eu dizia... Fin. Imp. de 120 dias - maquinaria de impressão; Carta de Crédito de 90 dias + Fin Imp de 60. Cálculei tudo e ainda dei uma aumentada no valor. 35 basis points me pareceu certo. Liguei e logo falei. Até tentei barganhar: "vocês pagam 0,40?" No fim propus uma gambiarra de 0,20 + taxa de 160 Euros, mas infelizmente não fechamos a operação. "Mas, querida, pode continuar me mandando as operações que alguma hora a gente fecha. Aliás, como vão as crianças?"
ééé, essa vida corporativa as vezes deixa a gente se sentindo mais poderosa do que é (não esqueçamos que um dia antes fui convocada para tarefas de baby-sitter quase.)
Não é que eu desliguei o telefone, sentei confortavelmente na minha cadeira, e encarei o vazio com cara de mulherão bem-sucedida. Mas o momento passou e o resto da jornada fiquei mau-humorada ("àààna, preciso que você tire xerox disso..(porque eu não sou capaz de andar até a máquina e apertar o botão vermelho)")
ana banana 6:53 PM[+] +
.Domingo, Setembro 17, 2006.
da vida business no LBBW
São Agora perto de 10:40.
E eu estou no trabalho. Estou no banco, no escritório de representação do LBBW (o chique e rico - U$500bi de ativos- Landesbank Baden-Württemberg) para ser mais exata, e o alemão caricaturado (agora eu vejo ele como um desenho animado e tento não rir quando me dirige a palavra: "ÁÁÁNA...!!!" ou "Ánnna?" E tem um barulho que ele faz sempre que me irrita as profundezas do âmago. Um barulho semi-agudo que, na verdade, começa grosso e baixo e sobe nove tons em meio segundo.
um grunhido. Hém! com agá mudo rr ÉÉM. E eu finjo que não escuto da primeira vez. rrrr ÉÉÉÉM. "áááááána!!!!" aí eu me viro devagar faço uma cara típica de ms. Ana Wainer que diz "Estou muito ocupada e estressada, é bom que você tenha algo importante para me dizer". Claro que nunca é nada importante. Quando calha de ser algo como: "Você pode imprimir isso pra mim?" ou "preciso de uma reserva no restaurante x. esse é o telefone" - Porra! Pega você mesmo o telefone e liga!
Aí eu fico puta por dentro. Puta que deve até me enfeiar um pouco. ás vezes fico áspera ou ácida e instataneamente me mau-humoro. Tem dias que as coisas vão bem na vida, que não dormi pouco ou o dia está ensolarado e eu acordo bem. Esses dias às vezes nem me incomodo com o ÀÀNA!!! e faço a porra da reserva sem um olhar mau-travestido. Nesses dias acho que o alemão se assusta, abre um sorriso torto e arrisca conversar comigo. Tem dia que eu finjo que escuto e dou uma risada falsa. Tem dia que até entro no espírito. Diesel, carros, festas descoladas ou estréia de filmes.
Hoje não foi um dia bom. Hoje cheguei atrasada por dormir pouco (insisto em me embriagar até as altas horas da madrugada). Dei meu bom-dia usual à secretária, inventando uma desculpa qualquer pelo meu atraso - vejamos: já usei o velho e bom "pneu furado" duas vezes, "problemas familiares" uma vez, "produção do clipe" três vezes, "show do garotas suecas" nem lembro quantas vezes, "jogging matinal" uma vez... e por aí vai. Sento na minha mesa pouco espaçosa. Enquanto o computador liga, vou correndo para a cozinha improvisada me fazer um espresso italiano - que pode ser uma das únicas razões para que eu continue ali - e na volta pego uma garrafinha de água (com gás ou sem, dependendo do dia) da geladeira e sento na minha cadeira.
A minha rotina matinal no escritório leva uns 30 minutos entre as três corridas do cafézinho, checar meus emails do escritório e meus pessoais, uma passada rápida nos blogs e fotologues que nunca estão atualizados, e um check-up nos scraps orkutianos.
Nos emails LBBW, a maior parte vêm do alemão e se resumem a: A) "favor falar com X" seguido de um nome e telefone quando muito (em geral quando eu peço o contato ele me fala para perguntar para a secretária ou "procura no google", sendo que eu sei que ele tem no catálogo de endereços do outlook porque, inclusive, uma das tarefas que ele dá é catalogar todos os cartões de visita dele). B) "favor montar oferta" que até que eu me dou bem. São informações pontuais e objetivas e até posso ser criativa no quesito de quanto cobrar de juros em cima do EURIBOR, quanto cobrar de management fee, etc. C) "FYI" e me manda um anexo todo em alemão para eu adivinhar. D) entram as coisas absurdas: "favor imprimir" com um anexo (não é mais fácil ele mesmo apertar o botão print?) e coisas do estilo.
Acho importante salientar que não fui contratada para ser secretária pessoal desse alemão. Inclusive, minha função lá é de gerente de relacionamento entre bancos, principalmente. E claro, diretora do departamento cultural - mas esse título eu mesma me dei.
Mas enfim... Preciso voltar. Encerra-se, assim, capítulo 1.
ana banana 11:54 PM[+]